cover
Tocando Agora:

Caso das girafas: Justiça condena dirigentes do BioParque por fraude e maus-tratos; 4 morreram no RJ

Girafas em Bioparque no Rio de Janeiro. TV Globo/Reprodução Quatro anos depois da importação de 18 girafas da África do Sul, a Justiça Federal condenou os...

Caso das girafas: Justiça condena dirigentes do BioParque por fraude e maus-tratos; 4 morreram no RJ
Caso das girafas: Justiça condena dirigentes do BioParque por fraude e maus-tratos; 4 morreram no RJ (Foto: Reprodução)

Girafas em Bioparque no Rio de Janeiro. TV Globo/Reprodução Quatro anos depois da importação de 18 girafas da África do Sul, a Justiça Federal condenou os principais responsáveis pela operação. A decisão é da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e aponta irregularidades na entrada dos animais no país e maus-tratos após a chegada ao Brasil. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) sustentou que os animais de procedência estrangeira foram importados de forma fraudulenta, inclusive com uso de documentos ideologicamente falsos. Também apontou que as girafas foram maltratadas desde a chegada ao Brasil, em 11 de novembro de 2021, até pelo menos maio de 2022. Parte dos animais ficou no resort Portobello Resort & Safári, em Mangaratiba, na Costa Verde do estado. Quatro girafas morreram — três delas poucos dias após o desembarque, em novembro de 2021. Condenações A sentença, com 88 páginas, foi assinada pelo juiz Marcelo Luizio Marques Araujo. Manoel Browne de Paula e Cláudio Hermes Maas, que eram diretor de operações e o gerente técnico do BioParque, respectivamente, foram condenados a cinco anos de prisão pelos crimes de contrabando, maus-tratos e obstrução ou dificuldade à fiscalização ambiental. Manoel Browne também terá de pagar multa de aproximadamente R$ 95 mil. Cláudio Hermes foi condenado ao pagamento de cerca de R$ 45 mil. Apesar das penas, o juiz fixou o regime aberto para o início do cumprimento, o que permite que eles respondam em liberdade. Também foi condenado o analista ambiental do Ibama Hélio Bustamante Pereira de Sá, por apresentar documento atestando que o resort tinha condições de receber os animais. Ele recebeu pena de um ano de detenção por declaração falsa na modalidade culposa, que pode ser convertida em prestação de serviços comunitários. Em nota, o BioParque disse que recebeu com "surpresa a decisão de primeira instância". "A sentença não é definitiva e todos os réus apresentarão seus recursos em liberdade. A instituição reafirma sua confiança na Justiça e tem a firme convicção de que, ao final, a verdade prevalecerá e inocência dos envolvidos restará reconhecida", diz a nota. O Ibama disse que vai aguardar o recebimento da sentença para iniciar um processo administrativo contra o servidor condenado. A TV Globo tenta contato com os outros citados. Fórum Nacional de Proteção Animal vai recorrer A advogada do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Ana Paula de Vasconcelos, afirmou que vai recorrer da decisão. "O Ministério Público havia pedido condenação dos acusados por 18 crimes de maus-tratos, e o juiz entendeu que era um crime, era única ação. Então, eles deveriam responder por um único crime com o aumento de pena, esse é o nosso ponto principal de discordância", explicou. Veja abaixo reportagem de 2025 que mostrou como estavam as girafas: Mais de três anos após chegada, girafas trazidas da África seguem sem destino definido no Brasil; veja imagens recentes Destino das girafas As 14 girafas sobreviventes — oito fêmeas e seis machos — permanecem no Portobello Resort & Safári, sob tutela do Ibama. Os animais foram declarados perdidos em favor da União e hoje são propriedade do órgão ambiental. Desde o ano passado, o Ibama realizou um mapeamento técnico para definir os destinos considerados mais adequados e seguros para os animais. A devolução à África do Sul chegou a ser cogitada, mas o governo daquele país não aceitou o retorno. Após seis meses de estudos, cinco estabelecimentos foram selecionados: Quatro girafas permanecerão no próprio resort em Mangaratiba; Duas irão para um mantenedor particular no interior de São Paulo; Três serão encaminhadas ao Zoológico Municipal de Curitiba; Outras três ao Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte; E duas ao Jardim Zoológico de Brasília. Ainda não há prazo para o deslocamento. Antes da transferência, equipes dos estabelecimentos de destino precisarão passar por treinamento específico para o manejo das girafas e preparar o transporte adequado. Segundo o Ibama, os animais também precisam ser treinados para a viagem — processo que pode levar meses. O superintendente do Ibama no Rio, Rogério Rocco, afirmou que os critérios priorizaram o bem-estar dos animais. “Os critérios foram definidos como locais onde os animais possam ter as melhores condições de bem-estar, portanto a possibilidade de destiná-los para santuários ou para zoológicos públicos que tenham objetivos além dos de exposição, mas o objetivo de trabalhar a educação e projetos de conservação e reprodução da espécie.” Por que ficar no resort condenado? Questionado se a permanência de quatro girafas no resort não representaria uma espécie de “prêmio ao infrator”, Rocco afirmou que o transporte de animais adultos por longas distâncias pode representar risco. “A condição hoje dos animais adultos é muito favorável para que eles não sejam transportados a longas distâncias, e o Portobello tem condições de abrigá-los com qualidade e sem que exija que esses animais sejam transportados a longas distâncias, que é o que pode oferecer risco para sua própria sobrevivência.” A advogada do Fórum Nacional de Proteção Animal criticou a decisão administrativa. “Nós teremos uma premiação do crime e a sentença perpétua desses animais, que é a prisão em zoológico. Nós vimos essa decisão administrativa do Ibama com bastante tristeza e vamos buscar também.” Os zoológicos e o resort poderão exibir os animais ao público. Segundo o Ibama, a distância entre visitantes e girafas e o fato de elas permanecerem em áreas amplas e soltas foram considerados na avaliação técnica. O BioParque do Rio continuará responsável pelos cuidados com os animais até que as transferências sejam concluídas.

Fale Conosco