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Órfãos do feminicídio tentam reconstruir a vida após mães serem assassinadas: 'Muita saudade dela'

Órfãos dos feminicídios: crianças e jovens precisam aprender a crescer e viver sem suas mães, depois dos crimes Quando uma mulher é assassinada por ser mu...

Órfãos do feminicídio tentam reconstruir a vida após mães serem assassinadas: 'Muita saudade dela'
Órfãos do feminicídio tentam reconstruir a vida após mães serem assassinadas: 'Muita saudade dela' (Foto: Reprodução)

Órfãos dos feminicídios: crianças e jovens precisam aprender a crescer e viver sem suas mães, depois dos crimes Quando uma mulher é assassinada por ser mulher, outras vítimas quase sempre ficam para trás: os filhos. Crianças e adolescentes que perdem a mãe para o feminicídio precisam reconstruir a vida ao lado de avós, tios ou outros parentes, enquanto tentam lidar com um trauma que pode durar para sempre. O segundo episódio da série especial do Jornal Hoje sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha mostra histórias de famílias que transformaram o luto em luta para seguir em frente. 20 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA: Nos 20 anos da lei, Brasil tem recorde de medidas protetivas Pensão a órfãos de feminicídio; veja as regras e como pedir Saiba como identificar e denunciar violência doméstica O feminicídio foi tipificado como crime hediondo em 2015 e ocorre quando uma mulher é assassinada em razão de sua condição de gênero, geralmente em contexto de violência doméstica ou discriminação. Os números seguem em alta e revelam que, por trás de cada estatística, há famílias inteiras marcadas pela violência. Em entrevista ao Jornal Hoje, Maria da Penha relembrou que, quando sobreviveu às duas tentativas de assassinato cometidas pelo então marido, sua maior preocupação era com o futuro das três filhas, que à época tinham 6, 4 e 2 anos de idade. "A única coisa que eu pedi a Deus foi que não deixasse minhas filhas na orfandade", lembra. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Eu sinto muita saudade dela' Pedro e Lara, filhos de Pâmela, vítima de feminicídio Reprodução/TV Globo Pedro e Lara sabem exatamente o que significa crescer sem a mãe. Ao Jornal Hoje, falaram da saudade e da ausência deixada pelo feminicídio. "Minha mãe era muito boa para mim", lembra Pedro. Lara resume a dor em poucas palavras: "Eu sinto muita saudade dela. Dói muito, muito, muito." Avós que voltaram a ser mães Pâmela da Luz Oliveira foi assassinada a facadas em 2019 Reprodução/TV Globo Os dois são filhos de Pâmela da Luz Oliveira, assassinada a facadas em 2019. Tinha 26 anos e deixou quatro filhos, então com idades entre 4 e 8 anos. Quase 7 anos depois, todos são criados pela avó, Cláudia, que assumiu a criação dos netos após o crime. Enquanto acompanha o crescimento das crianças, Cláudia também convive diariamente com a ausência da filha. "Às vezes, eu vou para um cantinho e choro para ver se alivia a dor", conta. Os netos, diz ela, também sentem cada vez mais a falta da mãe à medida que crescem. Severino Soares de Oliveira foi condenado pelo assassinato de Pâmela, mas nunca chegou a ser preso e é considerado foragido. Gildete passou a cuidar dos netos, os três filhos de Fernanda, vítima de feminicídio em 2021. A mulher ficou internada por 11 meses antes de morrer. Wellington da Silva Esteves foi condenado em 2023 a 20 anos de prisão e permanece preso. "Meus netos estão sem pai e sem mãe. Ele destruiu a família inteira", resume Gildete. Gildete passou a cuidar dos netos, os três filhos de Fernanda, vítima de feminicídio em 2021 Reprodução/TV Globo Mais de 80% tinham ou tiveram relação com a vítima Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública traçam um perfil das vítimas e das situações. Mais de 80% dos crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros: 62,6% das vítimas de feminicídio eram mulheres negras; 50% tinham entre 30 e 49 anos; 59,4% dos crimes foram cometidos por companheiros; 21,3%, por ex-companheiros. Apoio para recomeçar Além do impacto emocional, familiares precisam reorganizar toda a rotina para cuidar das crianças. No Rio de Janeiro, um dos projetos que prestam esse suporte é o Empoderadas, que oferece atendimento psicológico, assistência jurídica e cursos profissionalizantes às famílias das vítimas. Segundo a equipe do projeto, o objetivo é evitar que crianças e adolescentes cresçam alimentando apenas sentimentos de revolta e ajudá-los a enxergar novas possibilidades de vida e de relações saudáveis. Projeto Empoderadas no RJ oferece atendimento psicológico, assistência jurídica e cursos profissionalizantes às famílias das vítimas Reprodução/TV Globo Pensão para órfãos Em 2023, foi sancionada a lei que criou uma pensão especial para órfãos de vítimas de feminicídio. Na prática, porém, o benefício só começou a ser pago em maio deste ano, após a publicação das regras pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) (veja as regras e como pedir). O auxílio, equivalente a um salário mínimo, é destinado a filhos e dependentes menores de 18 anos em situação de baixa renda. Até agosto, o INSS tinha analisado 389 pedidos: 108 foram concedidos; 172 seguem em análise por exigência de documentação; e 109 foram negados. Os filhos de Pâmela nunca receberam nenhum tipo de auxílio do Estado. A rede de apoio veio da avó, que precisou assumir também o papel de mãe. Apesar da perda, as crianças continuam sonhando com o futuro. Lara diz que quer ser médica. Outro jovem afirma que deseja formar sua própria família. Histórias que mostram que, mesmo depois da violência, ainda é possível reconstruir a vida — embora a ausência da mãe permaneça para sempre. 'Até quando?' Saiba como pedir socorro em casos de violência doméstica 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop.

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