PMs envolvidos em morte de médica estavam com câmeras corporais descarregadas
A médica Andréa Marins Dias Reprodução/TV Globo As câmeras corporais dos três policiais militares envolvidos na ação que terminou com a morte da médica...
A médica Andréa Marins Dias Reprodução/TV Globo As câmeras corporais dos três policiais militares envolvidos na ação que terminou com a morte da médica Andréa Marins Dias estavam descarregadas e não registraram a ocorrência, segundo o comando da corporação (veja a nota completa ao fim da reportagem). A médica de 61 anos foi morta no domingo (15), durante uma uma suposta perseguição em Cascadura, na Zona Norte do Rio. A reportagem completa será exibida no RJ2 desta terça-feira (17). A suspeita é que três policiais tenham confundido o carro da vítima com o de criminosos. Na perseguição, o veículo foi atingido, e Andréa acabou morrendo. Segundo a Polícia Militar, os três agentes foram afastados das ruas, e as armas utilizadas na ação foram apreendidas para perícia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Despedida Parentes e amigos se despedem de médica morta a tiros em perseguição no Rio Evandro Cardoso/TV Globo O enterro de Andréa ocorreu nesta tarde no Cemitério da Penitência, na Zona Norte, e foi reservado a parentes e amigos. O pai de 88 anos e a mãe de 91, que ela havia visitado pouco antes de ser morta, chegaram ao cemitério muito abalados, acompanhados da filha dela. Andréa era cirurgiã oncológica especializada no tratamento de endometriose. Ela tinha quase 30 anos de experiência na área de saúde da mulher. Em seu perfil nas redes sociais, dizia ter duas residências: uma geral, do ciclo básico de qualquer médico, e outra em cirurgia oncológica, para o tratamento de câncer. Médica é baleada e morre durante perseguição policial no Rio Em um vídeo gravado em 2024, ela se apresentou. "Eu tenho 27 anos cuidando de mulher. De formada, eu não sei se eu falo..... 32 anos de formada", contou Andréa, rindo. "Eu resolvi que isso seria um desafio para ajudar as mulheres, ajudar a dor das mulheres. A endometriose é uma patologia atual. Estou aqui para ajudar e para tirar dúvidas", comentou. Um dos últimos posts de Andréa nas redes sociais foi uma resposta a seguidores sobre se a retirada do útero cura a endometriose, tema que ela mais abordava nas publicações. LEIA TAMBÉM: Ministério da Igualdade Racial cobra investigação e uso de câmeras de PMs O que se sabe sobre morte de médica atingida por tiros durante suposta perseguição Andréa Marins Dias era cirurgiã oncológica e especialista em endometriose Reprodução/TV Globo Além da medicina, Andréa também fazia posts sobre seu lazer: "Nem só de trabalho viverá a mulher 😂👀 A Dra também se diverte em… 😅", escreveu ao lado de uma foto com amigas se divertindo. Também postava sobre viagens. Em uma delas, à África do Sul, postou com a filha ao lado da estátua de Nelson Mandela – ex-presidente e ícone da luta contra o apartheid, regime de segregação racial que durou quase meio século no país. Em outra, mostrou o museu que eterniza a luta contra o racismo. "Refletindo sobre a história no Museu do Apartheid. Uma jornada poderosa através das lutas e triunfos que moldaram nosso mundo", escreveu. Andréa fez post no Museu do Apartheid durante viagem à África do Sul Reprodução/Instagram Várias postagens da médica nesta segunda-feira (16) tinham comentários lamentando a morte, pedindo justiça e oferecendo apoio aos familiares da médica. Polícia investiga o caso A médica Andréa Marins Dias Reprodução Andréa foi morta durante uma perseguição em Cascadura, na Zona Norte do Rio, na noite de domingo (15). A suspeita é que os agentes tenham confundido o carro da vítima com o de criminosos. Segundo moradores, a médica tinha acabado de sair da casa dos pais quando foi baleada dentro de um carro modelo Corolla, na Rua Palatinado. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. A Polícia Militar informou que os policiais militares que participaram da ação foram afastados preventivamente das ruas até a conclusão das investigações. As armas dos agentes e as câmeras corporais foram apreendidas, e uma perícia complementar foi realizada no veículo da vítima nesta segunda-feira (16). Nota da PM "A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, de acordo com as análises preliminares dos setores técnicos da Corporação, foi identificado que as baterias das câmeras corporais utilizadas pela equipe estavam descarregadas no momento da ocorrência. Todos esses fatos seguem sob apuração integral da área correcional da SEPM. Vale ressaltar que na corporação existem normas rígidas que determinam que os policiais, ao perceberem que há qualquer tipo de falha ou mau funcionamento das câmeras, devem regressar à unidade de origem para substituição dos equipamentos. Os policiais seguem afastados dos serviços nas ruas."